IJUÍ
CAPITAL NACIONAL E MUNDIAL DAS ETNIAS
Fundada em 19 de outubro de 1890 pelo governo estadual, “Ijuhy”, cujo significado em Guarani é “Rio das Águas Divinas”, marcou o início da imigração na região. Situada no vale do Rio Ijuí, essa área foi uma das últimas do Rio Grande do Sul a ser colonizada. Após a demarcação pelo Governo, a recém-criada Colônia recebeu seus primeiros imigrantes, que se juntaram aos habitantes locais, formando os primeiros residentes da região.
Localizada a 395 km de Porto Alegre, a capital estadual, Ijuhy se destacou por sua colonização multiétnica, em contraste com os projetos anteriores do Governo Federal. Enquanto as “Colônias Velhas” eram predominantemente compostas por uma ou duas etnias, a Colônia Ijuhy foi concebida para abrigar imigrantes de diversas origens, conforme a proposta de formação de colônias mistas.
Milhares de imigrantes, principalmente da Europa, responderam ao apelo de uma propaganda governamental repleta de promessas de liberdade e oportunidades, chegando para formar a “Grande Colônia Ijuhy”. No entanto, a realidade encontrada divergia significativamente das expectativas. Os desafios eram árduos: comunicação limitada, adaptação à mata virgem, recursos escassos e, muitas vezes, pouca ou nenhuma experiência agrícola ou pecuária. Muitos pereceram, alguns emigraram em busca de melhores condições, mas outros permaneceram, formando grandes famílias e contribuindo para o desenvolvimento da colônia.
Através da fé, perseverança e trabalho árduo, esses corajosos imigrantes transformaram o que foi chamado de “Babel do Planalto” pelo padre Antonio B. Cuber, primeiro Pároco Católico da Colônia, em um próspero município chamado Ijuí. Hoje, Ijuí é reconhecida nacionalmente por sua riqueza cultural e mantém seu título de “Colméia do Trabalho” e “Terra das Culturas Diversificadas” na vanguarda.
Ijuí, capital nacional da etnias.
O Presidente da República sancionou nesta terça-feira (29/12), o Projeto de Lei que confere o título de Capital Nacional das Etnias à cidade de Ijuí, no estado do Rio Grande do Sul. A lei sancionada se originou do Projeto de Lei 10095/2018, de autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) para conferir ao município de Ijuí no Estado do Rio Grande do Sul, o reconhecimento como “Capital Nacional das Etnias”. Com cerca de 84 mil habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ijuí reúne uma ampla diversidade de grupos étnicos. Considera-se, também, que Ijuí possui a peculiaridade de ter como a sua festa principal a Expo-Ijuí Fenadi (Festa Nacional das Culturais Diversificadas). O evento congrega apresentações artísticas e degustação culinária de grupos, centros culturais e sociedades representativas de diversas etnias. Etnias – Lideranças locais apontam que Ijuí conta com a presença de 40 etnias e nacionalidades formadoras do município. São Guaranis, Caingangues, Angolanos, Congoleses, Moçambiquenhos, Italianos, Alemães, Poloneses, Russos, Letos, Lituanos, Austríacos, Holandeses, Suecos, Espanhóis, Portugueses, Franceses, Libaneses, Palestinos, Rutenos, Checos, Finlandeses, Gregos, Sírios, Argentinos, Belgas, Japoneses, Judeus, Norte-americanos, Paraguaios, Suíços, Ucranianos, Húngaros, Uruguaios, Dinamarqueses, Jordanianos, Ingleses, Haitianos, Egípcios e Gaúchos/Brasileiros.
Ijuí tem o título de capital mundial das etnias
No cenário cultural do Rio Grande do Sul, Ijuí se destaca como um ponto fulcral de diversidade e intercâmbio étnico. Essa reputação foi oficialmente ratificada em 13 de outubro de 2022, durante o prestigioso Encontro Internacional de Folclore e Artes Populares das Etnias, realizado na sede da União das Etnias de Ijuí (UETI), em paralelo à IIª Assembleia da IOV das Américas. Nesse evento emblemático, que reuniu representantes culturais de várias partes do mundo, Ijuí foi honrada com o título de Capital Mundial das Etnias. Essa distinção, conferida pelo secretário-geral da Organização Internacional de Folclore (IOV), consagrou a cidade como um epicentro de celebração e preservação das tradições culturais das diferentes etnias que a compõem. Essa designação não é apenas um reconhecimento, mas também uma validação do compromisso de Ijuí com a promoção da diversidade cultural e o intercâmbio entre os povos. Ao longo dos anos, a UETI tem desempenhado um papel fundamental na preservação e difusão das expressões culturais de diversos grupos étnicos que coexistem harmoniosamente nesta região. Assim, Ijuí não é apenas uma cidade, mas um verdadeiro símbolo de convivência pacífica e enriquecimento mútuo entre diferentes culturas. Esse título global reforça o papel vital que essa comunidade desempenha na promoção da compreensão intercultural e na construção de pontes entre as pessoas, não apenas em nível local ou nacional, mas também em escala internacional.















